sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Governo propõe inserção da agricultura familiar no Consórcio Nordeste












O Governo do Estado recebeu representantes de agricultores e agricultoras familiares do Rio Grande do Norte e de mais quatro estados do Nordeste integrantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Contraf Brasil) nesta quinta-feira (19) para debater ações e a integração da pauta às discussões do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste.

A governadora Fátima Bezerra recebeu um documento com os pedidos dos agricultores e agricultoras, que envolve temas como apoio às cooperativas produtivas, parcerias para desenvolvimento rural e regularização, e propôs a inserção formal da agricultura familiar na pauta dos governadores nordestinos por meio de uma câmara técnica.

“Eu acredito que a criação de uma câmara técnica da agricultura familiar no Consórcio Nordeste, que possa trazer diversas entidades para dentro do fórum, é muito importante. Vamos pautar isso na próxima reunião e encaminhar um encontro dos representantes com a secretaria executiva do Consórcio, que é chefiada por Carlos Gabas. Estamos aqui para reafirmar o compromisso do Governo com a agricultura familiar”, disse a governadora.

A pauta dos agricultores e agricultoras é fruto das discussões do Encontro das Fetraf’s do Nordeste, que foi encerrado em Natal na quinta-feira. A reunião contou com representantes potiguares, de Pernambuco, Ceará, Bahia e Piauí, que também vão levar o documento para os governadores dos respectivos estados.

Coordenadora geral da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (Fetraf-RN) e coordenadora da secretaria geral da Contraf Brasil, Josana Lima destacou a importância da integração nordestina. “É necessário se articular enquanto região. E o nosso papel enquanto entidade é destacar que a agricultura familiar não é só a produção do feijão, mas também representa saúde para o povo, por isso a importância”, afirmou a coordenadora da entidade que representa cerca de 100 mil agricultores e agricultoras potiguares.

Ainda durante a reunião realizada no auditório da Governadoria, a chefe do Executivo potiguar relatou as ações da gestão estadual para estimular o desenvolvimento da agricultura familiar, ao lado dos secretários de Estado Alexandre Lima (Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar) e Íris Oliveira (Trabalho, Habitação e Assistência Social) e do diretor geral do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do RN (Emater-RN), César Oliveira.

A governadora pontuou medidas como a criação do Programa Estadual de Compras da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Pecafes), a reformulação do Programa do Leite Potiguar e a instalação do Comitê Estadual de Resolução de Conflitos Fundiários. “Estamos trabalhando na regulamentação do Pecafes para levar R$ 20 milhões em investimentos para os agricultores rurais, e implementando mudanças na compra de leite também de olho no agricultor familiar”, finalizou Fátima Bezerra.

A lei de criação do Pecafes foi sancionada em julho, determinando a reserva de pelo menos 30% das compras diretas e indiretas do Governo para a produção advinda da agricultura familiar.

ASSECOM/RN


BOMBA: Reportagem diz que José Agripino recebeu R$ 1 milhão de propina através de assessor em hotel de SP. Henrique Alves também é citado
























A Revista CRUSOÉ traz uma reportagem na sua edição desta sexta denominada A LISTA DO DELIVERY DA PROPINA da ODEBRECHT.

Na reportagem a revista enumera a entrega de propina em endereços indicados por políticos por uma transportadora de valores contratada só para este fim realizada pela construtora ODEBRECHT entre os anos de 2013 e 2015 atingindo a bagatela de quase 249 milhões de reais distribuídos.

Entre os políticos que aparecem na reportagem, o ex-senador potiguar José Agripino Maia é destaque tendo recebido duas remessas totalizando R$ 1 milhão de reais. O dinheiro teria sido recebido por um assessor dele em um hotel em SP. O ex-deputado Henrique Alves também é citado mas a revista não da detalhes de valor e endereço.

Segundo a reportagem o codinome do senador era GRIPADO e o intermediário que teria recebido os valores é o primo do senador e assessor de longos anos, Junior Maia.

Junior segundo a reportagem, teria recebido no mesmo dia num hotel que funcionava na rua da Consolação, 2 remessas de R$ 500 mil reais em outubro de 2014.





Link da reportagem da CRUSOÉ: https://crusoe.com.br/secao/reportagem/a-lista-do-delivery-da-propina/



20 DE SETEMBRO: PARADA ESTADUAL NAS REDES MUNICIPAIS E ESCOLAS DO ESTADO




III Mostra Coletiva de Artes Visuais “Vozes da Arte: direitos humanos para além do direito”.


Acontecerá de 24 a 27 de setembro, no Espaço Cultural Mestre Antônio da Ladeira, no IFRN, Campus Santa Cruz, a III Mostra Coletiva de Artes Visuais: “Vozes da Arte: direitos humanos para além do direito”. Neste ano, o evento, promovido pelo Núcleo de Arte (NUARTE) do Campus tem o objetivo de dar visibilidade ao trabalho de artistas visuais, em diversas linguagens (desenho, pintura, fotografia, escultura, instalação, entre outras), da região do Trairi, que possuem obras que dialogam com os direitos humanos (direito à educação, à liberdade de expressão, à vida, à igualdade perante as leis, à proteção social, ao trabalho, dentre outros). 

Além da exposição, o evento também visa proporcionar experiências em diversas linguagens artísticas para as comunidades interna e externa ao Campus. Nesse sentido, além da exposição, a programação da semana conta com exibição e debates de filmes, sarau, troca-troca de livros e oficinas. 

Os interessados em participar das oficinas podem se inscrever preenchendo o formulário eletrônico disponível no seguinte link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfIkYODtrVYGOVz-Q6DcrBT7x3Cnp0UOQ5Ya0QdTxITISGeVQ/viewform?usp=sf_link. As vagas serão preenchidas conforme ordem de inscrição. 

A abertura oficial da mostra acontecerá no dia 24 de setembro, às 19h, no Espaço Cultural Mestre Antônio da Ladeira e o público poderá visitar a exposição no período de 24 a 27 de setembro, das 08h às 12h, das 14h às 18h e das 19h às 21h. 

Maiores informações por meios dos telefones 4005 4110 – Ramal 5808 

Venha com a sua escola!! Participe!!



quinta-feira, 19 de setembro de 2019

É aprovado fim do auxílio moradia para parlamentares e juízes

























A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou nesta quinta-feira (19) relatório do senador Paulo Paim (PT-RS), presidente do colegiado, a Sugestão Legislativa (SUG 30/2017) que prevê o fim do auxílio moradia para deputados, senadores e juízes.

O pagamento do auxílio-moradia assim como o pagamento do auxílio-mudança e até mesmo a cessão de imóveis funcionais, aponta o senador em seu relatório, não são mais legítimos, morais e probos diante da austeridade no uso do dinheiro público que a situação do País exige.

“Essas medidas são dissociadas do interesse público, constituindo-se em práticas muito próximas do patrimonialismo, no qual os recursos públicos são utilizados em benefício de poucos e já bem aquinhoados cidadãos da elite brasileira, como se fossem seus e não de todo o corpo social”, disse.

Para o senador, o fim do pagamento do benefício, pelo menos, em nível federal pode colaborar para subsidiar o pagamento do abono salarial para os trabalhadores que ganham até dois salários mínimos.

“Já é passada a hora de o País enfrentar essas questões. A sociedade brasileira sofre com índices alarmantes de desemprego e carestia, havendo um grande contingente de brasileiros que sequer possuem um teto para se abrigar dignamente”, disse o senador.

Tramitação

Aprovada pela CDH, agora a SUG 30/2017 transforma-se em Proposta de Emenda Constitucional e deverá tramitar pelas demais comissões do Senado.

Assim, a proposta prevê a alteração do artigo 39 da Constituição Federal, para vedar o pagamento de auxílio, ajuda ou qualquer outra forma de retribuição a título de reembolso de despesas efetuadas com moradia a senador, deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e vereador.

Projeto similar de autoria do senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 41/2017), prevê a vedação do pagamento de auxílio moradia para parlamentares, ministros, juízes e membros do Ministério Público. A matéria aguarda designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Do PT


quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Goianinha receberá maior empresa de embalagens sustentáveis do Brasil





















O pólo industrial avançado de Goianinha receberá mais uma empresa de grande porte. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) entregou na segunda-feira, 16, Licença Prévia para a construção de uma indústria de embalagens sustentáveis para ovos e frutas.

O empreendimento é a quarta unidade da empresa Sanovo Greenpack no Brasil, cuja produção de embalagens atualmente acontece nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Com a instalação no Rio Grande do Norte, a pretensão da empresa é abastecer toda a região Nordeste.

O Nordeste do Brasil possui uma população de 57 milhões de pessoas e uma produção de 7 bilhões de ovos por ano. Em questão de tamanho, este mercado é comparável com o Reino Unido. As vendas de bandejas de ovos nessa região aumentaram 94% nos últimos 6 anos e a expectativa de vendas para o Nordeste continua sendo de crescimento.

Segundo o diretor geral do Idema, Leon Aguiar, a instalação da multinacional no RN é mais um dos avanços promovidos pela política de portas abertas ao empresariado que o órgão ambiental tem levado como bandeira. “Estamos trabalhando para que o empreendedor perceba que o Rio Grande do Norte é um estado seguro para investir. Um estado em que o respeito ao meio ambiente e as atividades econômicas andam de mãos dadas, a fim de que se alcance o ideal desenvolvimento sustentável”, afirma o diretor.

Ao receber a licença, Edson Roberto Donzelli, gerente geral da Sanovo no Brasil, explica que atualmente a empresa fornece bandejas de ovos e frutas para a região Nordeste através de sua fábrica em Minas Gerais, “mas a distância e o aumento da demanda fez com que a nossa presença no Rio Grande do Norte fosse não só estratégica, como essencial”, afirmou.

A produção de embalagens ecológicas da Sanovo Greenpack preserva anualmente 600 mil árvores e reutiliza 700 milhões de litros de água.

Blog do Dj Bigode



Zambelli teme vexame na ONU e pede que Bolsonaro não vá
























A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) divulgou vídeo em que pede que Jair Bolsonaro não vá a Assembleia-Geral das Nações Unidas e fique no Brasil para “cuidar da saúde”.

Há risco, no entanto, de que o Brasil passe pelo maior vexame de sua história, com líderes internacionais virando as costas para Bolsonaro, em razão de suas ofensas a líderes internacionais e às conquistas civilizatórias. Confira, abaixo, o vídeo de Carla Zambelli e artigo de José Reinaldo Carvalho:



Governo envia 30 bombeiros para combater incêndio florestal em Patu












Governo do Estado montou uma força-tarefa para combater o incêndio florestal que atinge uma área de densa vegetação no município de Patu, no Oeste potiguar. Trinta bombeiros militares foram enviados para combater as chamas e o foco do combate será o isolamento da Serra do Lima para evitar que fogo atinja o Santuário que fica no local e que é ponto de turismo religioso no estado.

A governadora Fátima Bezerra reuniu todas as forças de Segurança Pública e o prefeito da cidade, Rivelino Câmara, na tarde desta terça-feira (17) e confirmou apoio ao município. “Todos os esforços serão feitos para combater as chamas e preservar o Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis que é um dos maiores destinos de religiosidade do Nordeste”, disse a governadora.

Um posto de comando será montado naquela cidade, liderado pelo comandante geral do Corpo de Bombeiros, Coronel Monteiro Júnior, com o apoio da Defesa Civil e da Polícia Militar. O objetivo é acompanhar de perto e definir as melhores estratégias para conter as chamas. “O combate é realizado no corpo a corpo e o melhor momento para se agir contra um incêndio florestal é no período noturno, devido à umidade do ar, temperaturas mais amenas e menor intensidade de ventos. Nossa equipe é altamente capacitada e, desde ontem (16), 15 bombeiros militares das cidades de Caicó e Mossoró, mais três viaturas de combate à incêndio atuam no local”, ressalta Monteiro.

Na reunião foi formalizada uma parceria entre o Governo e município de Patu para preservar o Santuário do Lima que é patrimônio do Rio Grande do Norte. “O Governo parou para nos receber. A reunião foi muito importante com a presença da governadora, do vice-governador, dos Comandantes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil e o do secretário de Segurança Pública. Todos voltados para solucionar este desastre ambiental que atingiu nosso município”, destacou o prefeito Rivelino Câmara.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte - Emparn, apesar de ter chovido bem na região de Patu, nesta época do ano o período é seco, com umidade relativa baixa, em média 30%, e também com ventos mais fortes, o que favorece a ocorrência de queimadas. O Corpo de Bombeiros atua com utilização de pick ups, pois a região de serra dificulta a chegada de veículos de grande porte. A operação de combate ao fogo conta também com o auxílio de outros os órgãos públicos de segurança estadual e municipal, como Defesa Civil e da Polícia Militar.

Participaram da reunião o vice-governador, Antenor Roberto, Cel. Monteiro Júnior (Comandante Geral do Corpo de Bombeiros), Cel. Francisco Canindé de Araújo (Segurança Pública), Cel. Alarico Azevedo (Comandante Geral da Polícia Militar) e o Ten. Cel. Carvalho (Defesa Civil).

ASSECOM/RN


Lewandowski diz que, se plenário demorar, pode decidir sobre anulações na Lava Jato






















O ministro Ricardo Lewandowski afirmou nesta terça-feira (17) que, se o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) “demorar muito” para analisar o caso da anulação de uma sentença da Lava Jato, poderá “decidir sim ou não”, individualmente, sobre pedidos semelhantes.

No dia 27 de agosto, a Primeira Turma do STF anulou, por 3 votos a 1, a condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras.

Bendine havia sido condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em uma ação ligada à Lava Jato. Foi a primeira vez que o Supremo anulou uma decisão do ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça.

A questão central foi a definição da ordem das alegações finais —se quem fala por último é o réu ou os delatores. Bendine foi delatado.

Desde a decisão, Lewandowski recebeu ao menos quatro pedidos para que condenações sejam canceladas seguindo a mesma lógica. Nesse sentido, os réus, e não os delatores, deveriam expor sua defesa por último.

Relator da Lava Jato no STF e integrante da Primeira Turma, o ministro Edson Fachin submeteu o caso ao plenário da corte. Ainda não há data para o julgamento. A Folha mostrou que a expectativa é que o tema seja apreciado em outubro.

“Se o Supremo, pelo seu plenário, estiver na iminência de examinar essa questão, não há porque eu me antecipar. Há várias questões, mas vai depender do meu convencimento. Se demorar muito, eu vou decidir sim ou não [sobre os pedidos de anulação]”, afirmou Lewandowski.

O ministro disse que, por ora, não pretende tomar decisões sobre os pedidos já realizados. “Vou aguardar um pouquinho, não sei se o plenário vai pautar. Vamos aguardar”, disse o ministro.

Questionado sobre se a tendência é esperar o posicionamento do plenário, ele respondeu “sim ou não”.

“Se eu me convencer, eu estendo ou não estendo”, disse ele, sobre anular as decisões questionadas. “Como há a possibilidade de o plenário analisar, vamos aguardar um pouco os acontecimentos.”

Lewandowski explicou, porém, que antes de qualquer decisão precisa avaliar caso a caso.

“Primeiro vou ver se cabe a extensão, em sendo uma outra ação penal; se cabe sendo um outro processo, uma outra ação penal”, disse. “Normalmente as extensões ocorrem dentro do mesmo habeas corpus, dentro do mesmo processo, em réus que estejam na mesma situação.”

O ministro do Supremo explicou que o Código de Processo Penal prevê que réus com uma sentença mais branda que um outro no mesmo processo têm direito ao mesmo entendimento.

“Isso tem sentido porque vigora entre nós o princípio máximo da isonomia, da igualdade. Por que não dar o mesmo tratamento? Primeira coisa é verificar se estão na mesma situação.”

FOLHAPRESS


Para Flávio Bolsonaro, Justiça boa é Justiça lenta

O senador Flávio Bolsonaro diz ser um político honesto, muito honesto, honestíssimo. Mas o Ministério Público do Rio de Janeiro colocou em dúvida a honestidade do primogênito de Jair Bolsonaro. Correm contra o Zero Um e seu ex-faz-tudo Fabrício Queiroz processos constrangedores. Um inocente convencional faria questão de ser julgado rapidamente, para demonstrar sua honorabilidade. Mas Flávio vai se revelando um inocente sui generis.

Acusado de peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, Flávio parece incomodado com a perspectiva de ser investigado e julgado. O personagem conspira contra a celeridade do sistema judiciário. Parece considerar que Justiça boa é Justiça lenta, de preferência parada.

Eleito senador, Flávio pediu que o caso subisse para o Supremo. O ministro Marco Aurélio Mello indeferiu. O Zero Um requereu à Suprema Corte o trancamento do processo. O ministro Dias Toffoli deferiu a trava. Agora, Flávio exige ser julgado em foro privilegiado de âmbito estadual. Quer que seu processo migre das mãos de um juiz singular de primeira instância para um colegiado do Tribunal de Justiça do Rio, com 25 desembargadores.

Os novos pedidos de Flávio Bolsonaro foram à mesa da desembargadora Mônica Tolledo de Oliveira. Ela requisitou a manifestação do Ministério Público. Coube à procuradora Soraya Taveira Gaya responder. A doutora produziu para Flávio uma manifestação de sonho.

Soraya Gaya Anotou que a condição de filho do presidente faz crescer o “interesse da nação no desfecho da causa…”. Escreveu que o juiz de primeiro grau carrega “um grande fardo nos ombros”. Colocou-o em honrosa companhia: “Nem Cristo carregou sua cruz sozinho”. Tomada pelas palavras, a procuradora parece enxergar na primeira instância não um juiz, mas uma piada.

No seu esforço para retardar o veredicto, Flávio Bolsonaro não deseja apenas fazer o processo subir de instância. Ele reivindica que o Tribunal de Justiça anule tudo o que foi enfiado dentro dos autos até o momento —dos despachos do magistrado às provas e indícios recolhidos em função das quebras de sigilo bancário e fiscal.

Flávio Bolsonaro quebra lanças por um julgamento lento. Apaixonou-se pela dúvida que paira sobre sua cabeça. E vem sendo plenamente correspondido. Atribui o rebuliço à sua volta a uma hipotética perseguição.

O primogênito enxerga suspeitos em toda parte —no ex-Coaf, no Ministério Público, na primeira instância do Judiciário… Para Flávio, todos são suspeitos. Só ele é imaculado. No ritmo que escolheu ser processado, o filho mais velho do presidente será candidato em 2022 não à reeleição para o Senado, mas ao posto de santo.

JOSIAS DE SOUZA



DOBRAR FUNDO ELEITORAL E TRAVAR INVESTIGAÇÕES: Congresso “renovado” tem cara de pão dormido

Celebrava-se no início do ano, a posse do Congresso mais renovado das últimas três décadas. Durou pouco a animação. Os parlamentares parecem empenhados em revogar o direito do brasileiro ao otimismo. Isso ficou evidente com a tramitação da proposta que reformula regras eleitorais e partidárias, permitindo a políticos e partidos gastarem verba pública como se fosse dinheiro grátis e tornando praticamente impossível a punição de delinquentes eleitorais. O Parlamento novo era pão dormido.

Dos 513 deputados eleitos no ano passado, 244 sentaram nas poltronas do plenário da Câmara pela primeira vez nesta legislatura. Um índice de renovação de 48%. A proposta indecente passou na Câmara por 263 votos a 144. Faltou lembrar na hora de contabilizar a taxa de renovação do Legislativo que mais da metade dos “novos” deputados eram ex-senadores, ex-governadores, ex-prefeitos, ex-deputados estaduais, ex-secretários de Estado. Quer dizer: políticos tradicionais.

O projeto do escárnio foi ao Senado. Ali, estavam em jogo nas eleições do ano passado 54 das 81 cadeiras. Elegeram-se 46 novatos. Taxa de renovação de 85%. Um pedaço do “novo” também veio acoplado ao prefixo “ex”. Apesar de toda a repercussão negativa, a maioria dos senadores se equipava para aprovar o projeto indecoroso recebido da Câmara. Foi preciso que o noticiário gritasse e as redes sociais berrassem para que se produzisse nesta terça-feira algo parecido com uma meia-volta.

Continua sobre a mesa um debate esquisito sobre a definição do valor do fundo eleitoral que bancará a eleição municipal do ano que vem. Há quem queira elevar o gasto de R$ 1,7 bilhão para R$ 3,7 bilhões. Convém continuar gritando. No limite, o eleitor terá de cobrar dos parlamentares a aprovação de uma nova Constituição, na versão simplificada que foi sugerida pelo historiador Capistrano de Abreu, morto em 1927. Teria apenas dois artigos: Artigo 1º: Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Artigo 2º: Revogam-se as disposições em contrário.

QUEREM TRAVAR INVESTIGAÇÕES DA RECEITA

Surgiu na pauta de votações da Câmara mais um projeto duro de roer. Proíbe auditores da Receita Federal de repassar para o Ministério Público indícios de crimes descobertos durante uma apuração fiscal —lavagem de dinheiro e evasão de divisas, por exemplo. Na noite passada, líderes do centrão e da oposição articulavam-se para votar a novidade já nesta quarta-feira. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, participa do entendimento.

Hoje, as informações sobre crimes não tributários são transferidas ao Ministério Público pelos próprios auditores. Deseja-se atrasar o processo, burocratizando-o. Vai a voto um texto redigido sob a coordenação de um dos comandantes do centrão, o deputado Arthur Lira (AL), líder do PP. Cria mais três instâncias decisórias.

O auditor terá de comunicar sobre os indícios de crime ao Secretário da Receita Federal. Que submeterá a suspeita à análise de uma comissão interna. Que requisitará, quando julgar que é o caso, autorização judicial para o compartilhamento. Só então os dados poderão seguir para o Ministério Público.

O afunilamento de representações fiscais de todos os estados no gabinete do chefe da Receita não tem outro objetivo senão o de formar uma fila capaz de empurrar para as calendas o envio de notificações sobre crimes para os órgãos de controle. Os auditores estimam que procedimentos que consomem um mês podem se arrastar por mais de dois anos —com risco de prescrição.

JOSIAS DE SOUZA



terça-feira, 17 de setembro de 2019

Ciro Gomes, sobre Bolsonaro: “Acho que não termina o governo. Espero que não seja pelo suicídio. Meu palpite, é um mero palpite, é que vai ser por renúncia”


















Candidato à Presidência derrotado pelo PDT em 2018, o ex-ministro Ciro Gomes afirmou que o “campo progressista” perderá as próximas três ou quatro eleições caso o que ele chama de “burocracia do PT” mantenha uma estratégia em “nome da direção imperial” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como mostrou a Coluna do Estadão, cresceu entre políticos e analistas a percepção que Ciro decidiu radicalizar o discurso de defesa da democracia e romper com a “frente de esquerda”. “Agora ninguém mais vai enganar ninguém porque o que eu tinha para dar de engolir, de ter que fazer silêncio em nome da unidade, eles acabaram de liquidar”, disse Ciro ao Estado.

Ele esteve em Belo Horizonte para participar da filiação ao PDT da professora Duda Salabert, a primeira transexual a se candidatar ao Senado, nas eleições do ano passado – ela estava sem partido desde que se desfiliou do PSOL. Abaixo, os principais trechos da entrevista, feita por telefone.

O deputado Alexandre Frota lhe pediu desculpas sobre comentários que fez contra o senhor. O pedido foi aceito?

Não vou atribuir nenhuma relevância política a isso. Mas eu aceito as desculpas e reconheço nisso um gesto humano muito nobre. Porque eu, quando erro, gosto também de pedir desculpas. Aceito as desculpas dele e bola para frente.

O PT não apoiou o sr. na eleição presidencial de 2018 e lançou um candidato próprio. Agora, o sr. já se colocou como candidato para 2022. O sr. acredita que o PT pode, na próxima eleição presidencial, apoiar um candidato de outro partido?

O PT são vários PTs. E é importante que você entenda essa premissa para o raciocínio que vou elaborar. Esta burocracia do PT e a estratégia que essa burocracia está fazendo em nome da direção imperial do Lula é certeza da derrota do campo progressista no Brasil agora e pelas próximas três ou quatro eleições. Por quê? Porque você explodiu sobre a cabeça do povo brasileiro, tal como nosso povo é, dois gravíssimos problemas. Um, a corrupção generalizada. Você pode relativizar, como petista fanático dessa burocracia faz. A segunda questão é econômica (a crise).

Ambos os lados agem da mesma maneira?

São rigorosamente as duas faces da mesma moeda. E aí você vê na caricatura. O Datafolha publica uma pesquisa em que há uma violenta deterioração da popularidade do Bolsonaro, e o Bolsonaro faz um discurso dizendo, ‘tá bom, errei em alguma coisa’, mas se vocês falarem mal de mim, o PT vai voltar. No mesmo dia, a (presidente do PT) Gleisi Hoffmann, que interpreta esse PT corrupto e incompetente, que é uma pau mandado do Lula, sem nenhum tipo de atitude crítica, simplesmente o partido mais importante do País é dirigido por essa mulher. Ela diz o quê? Que vai ser nós contra o Bolsonaro. Enquanto isso alguém ilude o Flávio Dino, alguém fala em unidade comigo, e tal.

Algum partido já conversou novamente em unidade com você? Alguém do PT?

Comigo unidade é o cacete. Unidade é na luta. E na luta em cima da mesa. Agora ninguém mais vai enganar ninguém porque o que eu tinha para dar de engolir, de ter que fazer silêncio em nome da unidade, eles acabaram de liquidar.

Quando isso foi liquidado, na eleição do ano passado?

Quando entregaram o Brasil para o Bolsonaro. Ou você acha que o Bolsonaro se elegeria sem o que o PT fez? O Bolsonaro nunca foi o candidato da direita brasileira. O Bolsonaro foi engolido pela direita brasileira porque era o cara que foi identificado pelo nosso sofrido povo como o mais tosco intérprete do antipetismo que era a força dominante. Bolsonaro interpretou de forma tosca o sentimento de medo do povo. Porque também durante 14 anos não mexemos uma linha nas instituições para enfrentar o narcotráfico, o contrabando de armas, as facções criminosas comandando o crime. E a única política que foi implantada no Brasil foi a política do encarceramento do jovem pobre, negro.

Existe alguma possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro não terminar o governo?

Acho que ele não termina o governo. Isso é um mero palpite. Espero que não seja pelo suicídio. Meu palpite, é um mero palpite, é que vai ser por renúncia. Os políticos, que de alguma forma foram negados também pelo caráter antipolítico que o Bolsonaro impôs na retórica dele, estão muito ressabiados com a bobagem que fizeram no impedimento da Dilma. Então, por exemplo, o PSDB sabe que talvez tenha se liquidado mortalmente naquele gesto burro. Se tivesse esperado o tempo fluir, até o final do mandato ruidoso da Dilma, tinha ganho as eleições. O que aconteceu, interromperam o mandato e passaram a ser corresponsáveis pelo desastre que veio daí adiante com Michel Temer e agora com o Bolsonaro. Produziram o Bolsonaro. Isso o PT também está vendo. Então a probabilidade de um impeachment hoje é pequena. Mas as energias são tão negativas e tão rápidas que não vejo como Bolsonaro termine o governo.

O que vai ser mais fácil na sua campanha em 2022, atrair apoiadores do Bolsonaro ou do PT?

Quero produzir corrente de opinião. O Brasil vai passar por muita confusão. Acho que o Brasil vai passar por momentos terríveis nos próximos seis meses. O cenário internacional está se deteriorando de forma grave. O nível de paciência do Paulo Guedes para as irracionalidade do Bolsonaro, e para a orgânica contradição do Bolsonaro com o liberalismo que o Guedes representa, tudo isso provavelmente sinaliza para uma saída do Guedes em algum momento. A deterioração da economia é um fato. O teto de gastos será atingido no ano que vem. O Bolsonaro votou a favor disso. É uma aberração. O ano que vem vai ser terrível. E isso tem um poder de combustão muito grande. De provocar novos alinhamentos na vida brasileira. Como eu calculo? Acho que o bolsonarismo doente são 15% da população. Acho que o petismo doentio são 20% da população. E o grande problema é que essa grande maioria (65%) está atomizada, sem compreensão.

O senhor veio a Belo Horizonte para participar da filiação ao PDT da professora Duda Salabert, a primeira transexual a se candidatar ao Senado, nas eleições do ano passado. Há uma tentativa de o partido se aproximar das chamadas minorias?

A professora Duda é uma figura extraordinária. Ela está saindo do PSOL. E escolheu o PDT. Isso para mim é uma grande honra. E, para nós, não é para reforçar luta identitária, é para reforçar a militância em torno de um projeto nacional que tenha compromisso com as diferenças, com a tolerância, com a igualdade, trabalhar para que seja respeita a fé, a preferência dessa ou aquela forma de amar, porque para nós todas elas são justas.

Coluna Estadão


TEMER ADMITE GOLPE CONTRA DILMA "EU JAMAIS APOIEI OU FIZ EMPENHO PELO GOLPE". VEJA O VÍDEO





















Entrevistado na noite desta segunda-feira (16) por jornalistas da bancada do Roda Viva, da TV Cultura, o ex-presidente Michel Temer admitiu que o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff foi um golpe.

“Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”, disse o emedebista, que assumiu a presidência após a queda de Dilma em 2016. Em sua explanação, Temer não se preocupou em usar o termo “golpe”, algo que nunca tinha feito, e ainda revelou que tentou impedir o avanço do processo do impeachment após um telefonema do ex-presidente Lula.




Bolsonaro negligencia a Amazônia. Por Ramon Luduvico



São mais de 2.300 focos de queimadas no bioma Amazônia em setembro, os dados são do sistema de monitoramento ativo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na última quarta-feira (04/setembro). Desde janeiro desse ano a Amazônia acumula quase 50 mil focos de incêndio, quase o dobro do que foi registrado no ano passado para o mesmo período.

Seguindo analisando, cada vez os dados se tornam mais alarmantes. Estamos em um mês de seca, o que ocasiona um aumento no número de focos de incêndio, todavia o mês de agosto desse ano terminou como o maior número de focos em 9 anos. As queimadas no bioma Amazônia tiveram um aumento de 196% desse mês, chegando a mais de 30 mil focos ativos, é o que aponta os dados do Programa Queimadas do Inpe.

O aumento estratosférico das queimadas do Brasil, sobretudo na Amazônia, tem dois componentes importantes para serem analisados. O primeiro é a política ambiental do Governo Federal: Bolsonaro enfraqueceu o Ministério do Meio Ambiente que perdeu poder e prestígio além de setores importantes como a Agência Nacional de Águas e Serviço Florestal Brasileiro; O Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles anunciou a revisão de todas as 334 Unidades de Conservação; O número de multas ambientais aplicadas pelo IBAMA foi o mais baixo em 11 anos; esses são só alguns dos exemplos de como o meio ambiente está sendo tratado por Bolsonaro.

O segundo ponto é o que causa mais indignação: Cumprindo o que prometeu na campanha, na qual Bolsonaro se mostrou crítico à fiscalização ambiental, agora presidente com suas declarações e os atos institucionais, como indicar um Ministro que responde a processos judiciais por supostamente ter beneficiado indústria e mineradoras, pessoas se sentiram mais à vontade em praticar crimes ambientais, chegando a ser proposto um dia do fogo.

O dia do fogo (10 de agosto de 2019) é o dia em que foram realizadas queimadas criminosas e propositais principalmente na cidade de Novo Progresso no Pará (a cerca de 1.200 km da capital Belém). O caso ainda está em fase de investigação, porém evidências apontam que os organizadores queriam chamar a atenção do presidente Bolsonaro e mostrar apoio as políticas contra o meio ambiente do Governo Federal.

Documentos apontam que o IBAMA solicitou apoio da Força Nacional (ligada ao Ministro Moro) para combater o plano de promover queimadas (o dia do fogo), o Moro não atendeu a solicitação. O Procurador do estado do Paraná chegou a afirmar: “Pode-se constatar grave negligência do Estado na proteção da floresta amazônica”.

Hoje, após consolidado o crime ambiental, o Governo Federal junto com os estados que fazem parte da Amazônia legal estuda formas de combater o fogo que ainda existe. Apesar disso Bolsonaro segue com suas atitudes totalmente desconectadas da realidade, só para se ter uma ideia o presidente chegou a negar ajuda financeira internacional e desrespeitar Brigitte Macron, esposa de Emmanuel Macron, presidente da França.

Esperamos que não só os focos de incêndios sejam controlados, mas também que o (des)Governo de Bolsonaro reveja sua política ambiental, pois uma das riquezas que o Brasil se orgulha e é reconhecido internacionalmente é seus biomas, notadamente a Floresta Amazônica.

Por: Ramon Luduvico


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Santos Cruz confirma que Bolsonaro entregará a cabeça de Moro

O ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, teria dito em conversas reservadas que Jair Bolsonaro está disposto a tudo para livrar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que é investigado juntamente com o ex-assessor Fabricio Queiroz pela movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. Nesta linha Santos Cruz teria dito que Bolsonaro avalia “entregar a cabeça” do ministro da Justiça Sérgio Moro para livrar o filho das investigações, diz O Antagonista, site que atua como porta-voz do ex-juiz.

Santos Cruz foi demitido em junho após ser alvo de críticas diretas dos filhos de Bolsonaro e do astrólogo Olavo de Carvalho, guru do clã. A sua saída teria sido motivada principalmente pela disputa pelo controle da comunicação governamental e em função da relação do governo com blogs e sites de extrema-direita.

As conversas de Santos Cruz sobre a iminente saída de Moro acontecem na esteira da fritura do ex-juiz em função da interferência de Bolsonaro no comando da Polícia Federal. Cada vez mais isolado, Moro vinha ameaçando pedir demissão caso o atual diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, fosse removido do cargo para dar espaço para pessoas ligadas a Bolsonaro. As últimas informações, porém, apontam que Valeixo já estaria limpando as gavetas para dar vez ao bolsonarista Anderson Torres.

Com isso, Bolsonaro pressiona Moro a pedir demissão enquanto, ao mesmo tempo, blinda o filho das investigações sobre as irregularidades que teriam sido cometidas enquanto Flávio Bolsonaro exercia o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Blog da Cidadania