O senador potiguar e pré-candidato a governador Rogério Marinho (PL) defendeu que é preciso vender a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) e acabar com o aumento real de salário mínimo dos servidores públicos. As declarações foram dadas em entrevista à Jovem Pan News Natal na última sexta-feira (28).
“Para governar um estado como o Rio Grande do Norte, você pode mudar tudo para deixar como está. Ou seja, ser mais do mesmo. Então, eu vou dizer uma coisa aqui, que os funcionários públicos vão ficar com raiva em mim. Não dá para dar aumento real para funcionário público e ficar posando de bom moço, e implantar plano de carreira, cargo e salário neste momento em que o estado está insolvente e sem capacidade de fazer investimentos. Isso é demagogia, é jogar contra o conjunto da população como um todo”, disse o pré-candidato, que reconheceu que a necessidade de adotar medidas impopulares:
“Então, se você vai governar o Estado, você tem que tomar medidas impopulares, que significam necessariamente impopularidade. Então, você vai ganhar uma eleição falando a verdade? Vamos corrigir a inflação, tudo bem, vamos respeitar o funcionário, tudo bem. Mas você dizer ‘vou dar um plano de carreira para você’, ‘vou melhorar a situação’, ‘dar um aumento real’. Você está jogando contra 3,5 milhões de norte-rio-grandenses em função da corporação de funcionários públicos”, argumentou.
Em outro momento, o líder da oposição no Senado defendeu que é preciso vender a Caern totalmente, ao invés de fazer uma Parceria Público-Privada (PPP). No ano passado, o Governo do Estado e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram um contrato para avançar nos estudos e modelagem para uma PPP voltada para a Companhia. Cerca de R$ 3,2 bilhões devem ser investidos e a expectativa é de que o edital seja lançado em abril de 2026.
“Você pega, por exemplo, essa questão da Caern, outra questão que vai desagradar muita gente. Por que fazer PPP com uma empresa que hoje não dá o serviço adequado à sociedade? Quantos norte-grandenses não têm esgoto tratado? Não têm água tratada? Vá para o Seridó. Se não fosse a doutora que nós estamos fazendo, a situação continuaria parecida. Vá para a região Agreste. Municípios passando seis meses sem água, quatro meses sem água, como Santo Antônio, como Nova Cruz. Municípios que têm o seu tratamento de esgoto praticamente concluído e a Caern não complementa. Então, é evidente que você precisa melhorar o serviço que vai ser ofertado à população. Tem que vender a Caern, tem que fazer a concessão da Caern”, justificou.
Procurado, o diretor-presidente da Companhia, Roberto Linhares, afirmou que a fala do senador é inadequada e reflete um desconhecimento sobre a realidade do Rio Grande do Norte.
“Ele fala sobre abastecimento e sobre esgotamento no Estado que tem 90% de seus municípios no semiárido e que tem sistemas integrados de adutoras que chegam a quase 2.100 quilômetros de extensão. Ou seja, que tem um custo enorme para levar essa água para a população e, apesar disso, é uma das menores tarifas do Brasil. Uma companhia que vem rumando com governança, trazendo resultados positivos e não dependendo, nos últimos seis anos, de aportes do controlador. Ou seja, resolve o problema daquele menor município que precisa de água e que não é viável do ponto de vista financeiro”, aponta o dirigente da Caern.
Roberto Sérgio Linhares é diretor-presidente da Caern | Foto: Eduardo Maia |
“Ele quer entregar um bem de R$ 4,5 bilhões para que o privado invista só naquele que é viável e deixe para o Estado o osso, e que tenha um custo muito maior em 10 anos ou em 20 anos do que esses R$ 4,5 bilhões, com esses que não são viáveis, é isso que ele defende? O que ele defende de estado, o que ele defende para a companhia é totalmente diferente do que eu defendo. A gente defende a universalização da água e do esgoto para todos. A gente defende modicidade tarifária. A gente defende que a dona Joana, o seu João, o seu Manuel, que ganha um salário mínimo, tenha condição de pagar a conta dela, como quem ganha mais tenha condição de pagar dentro dessa realidade tarifária um pouco mais”, aponta Linhares.
PPP
De acordo com o presidente, a companhia vem se valorizando e já entrou no mercado de capitais com resultados positivos constantes. Linhares explica que, para a universalização da água e do esgoto no Estado, é preciso de, no mínimo, R$ 6,5 bilhões até 2033. Aí é onde entra o braço do capital privado para auxiliar nessa universalização, sem que a companhia seja vendida.
“O porquê da PPP é que o privado vem e ajuda a universalizar, tirando o Rio Grande do Norte de menos de 30% de cobertura de esgoto para no mínimo 90% até 2033, e de 95% de cobertura de água para 99% de atendimento com água em 2033. Para isso, a gente está andando com a primeira PPP, que traz investimentos para o Estado inicialmente de R$ 3,2 bilhões”, explica.
Roberto Linhares diz que de julho a agosto os estudos técnicos e de viabilidade econômico-financeira já vão estar prontos. Até o final de 2025 a Caern já terá a modelagem, buscando fazer audiências públicas para que a população discuta sobre a parceria público-privada. Em abril de 2026 o edital deve estar pronto para ser lançado, para fechar a PPP até o segundo semestre de 2026.
Agência Saiba Mais