terça-feira, 1 de abril de 2025

A TRAGÉDIA EVITADA: O ROMPIMENTO DO AÇUDE DE SANTA CRUZ EM 1981

FOTOS – Juliergui Andrade, via Elias Damasceno, publicadas originalmente no Facebook.













No dia 1º de abril de 1981, uma das maiores tragédias naturais da história do Rio Grande do Norte marcou para sempre a cidade de Santa Cruz. O rompimento do paredão do seu principal reservatório de água, o Açude municipal, trouxe destruição e desespero, mas também revelou a força, a coragem e a solidariedade de um povo que soube enfrentar a adversidade. Hoje, 44 anos depois, relembramos não apenas a dor daquele dia, mas também os atos heroicos que evitaram uma tragédia ainda maior.

Tudo começou quando o Açude Mãe D’Água, localizado na cidade vizinha de Campo Redondo, atingiu um volume de água muito acima de sua capacidade. A chuva incessante, que já castigava a região por dias, colocou em risco a estrutura do reservatório. O perigo era iminente, e um colapso parecia apenas uma questão de tempo. Foi nesse momento crucial que a telefonista Maria de Fátima Silva se tornou um verdadeiro anjo da guarda para os moradores de Santa Cruz.

Maria de Fátima, ao perceber a gravidade da situação, não hesitou: ligou para o monsenhor Raimundo, uma figura respeitada na cidade. O religioso, com sua voz firme e serena, percorreu as ruas da cidade em um carro de som, alertando a população sobre o perigo iminente. A mensagem se espalhou rapidamente, levando muitas famílias a buscarem abrigo em locais mais altos e seguros.

A previsão mais temida se concretizou: a parede do açude municipal de Santa Cruz não resistiu à pressão e cedeu, liberando uma avalanche de água que devastou ruas, casas e carros. O som ensurdecedor do rompimento foi seguido por gritos de desespero e pelo estrondo de construções desmoronando. No entanto, graças à rápida ação de Maria de Fátima Silva e do monsenhor Raimundo, muitas vidas foram salvas.

Hoje, ao relembrarmos esse triste episódio, também celebramos a resiliência e a união das cidades de Santa Cruz e Campo Redondo. Foram anos de reconstrução, de aprendizado e de fortalecimento. A tragédia deixou cicatrizes, mas também ensinou a importância da prevenção e do poder da solidariedade.

Quarenta e quatro anos depois, Maria de Fátima Silva continua sendo lembrada como uma verdadeira heroína, um exemplo de como uma atitude corajosa e altruísta pode mudar o destino de uma comunidade inteira. Seu gesto simples, mas crucial, evitou que o dia 1º de abril de 1981 ficasse marcado por uma perda humana ainda mais devastadora.

Santa Cruz seguiu em frente, com a força de seu povo e a memória dos que enfrentaram e superaram esse desafio. E é com respeito e gratidão que, a cada ano, recordamos essa história, para que nunca seja esquecida.














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