FOTOS – Juliergui Andrade, via Elias Damasceno, publicadas originalmente no Facebook. |
No dia 1º de abril de 1981, uma das maiores tragédias naturais da história do Rio Grande do Norte marcou para sempre a cidade de Santa Cruz. O rompimento do paredão do seu principal reservatório de água, o Açude municipal, trouxe destruição e desespero, mas também revelou a força, a coragem e a solidariedade de um povo que soube enfrentar a adversidade. Hoje, 44 anos depois, relembramos não apenas a dor daquele dia, mas também os atos heroicos que evitaram uma tragédia ainda maior.
Tudo começou quando o Açude Mãe D’Água, localizado na cidade vizinha de Campo Redondo, atingiu um volume de água muito acima de sua capacidade. A chuva incessante, que já castigava a região por dias, colocou em risco a estrutura do reservatório. O perigo era iminente, e um colapso parecia apenas uma questão de tempo. Foi nesse momento crucial que a telefonista Maria de Fátima Silva se tornou um verdadeiro anjo da guarda para os moradores de Santa Cruz.
Maria de Fátima, ao perceber a gravidade da situação, não hesitou: ligou para o monsenhor Raimundo, uma figura respeitada na cidade. O religioso, com sua voz firme e serena, percorreu as ruas da cidade em um carro de som, alertando a população sobre o perigo iminente. A mensagem se espalhou rapidamente, levando muitas famílias a buscarem abrigo em locais mais altos e seguros.
A previsão mais temida se concretizou: a parede do açude municipal de Santa Cruz não resistiu à pressão e cedeu, liberando uma avalanche de água que devastou ruas, casas e carros. O som ensurdecedor do rompimento foi seguido por gritos de desespero e pelo estrondo de construções desmoronando. No entanto, graças à rápida ação de Maria de Fátima Silva e do monsenhor Raimundo, muitas vidas foram salvas.
Hoje, ao relembrarmos esse triste episódio, também celebramos a resiliência e a união das cidades de Santa Cruz e Campo Redondo. Foram anos de reconstrução, de aprendizado e de fortalecimento. A tragédia deixou cicatrizes, mas também ensinou a importância da prevenção e do poder da solidariedade.
Quarenta e quatro anos depois, Maria de Fátima Silva continua sendo lembrada como uma verdadeira heroína, um exemplo de como uma atitude corajosa e altruísta pode mudar o destino de uma comunidade inteira. Seu gesto simples, mas crucial, evitou que o dia 1º de abril de 1981 ficasse marcado por uma perda humana ainda mais devastadora.
Santa Cruz seguiu em frente, com a força de seu povo e a memória dos que enfrentaram e superaram esse desafio. E é com respeito e gratidão que, a cada ano, recordamos essa história, para que nunca seja esquecida.
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