quinta-feira, 27 de abril de 2017

JERRY: UM ÍDOLO, UM REFERENCIAL.

Inesquecível passagem de Jerry Adriani por Santa Cruz na década de 90. Noite de céu límpido e estrelas fulgurantes, que pareciam uma representação ideográfica da luminosidade do SHOW que logo mais aconteceria no Trairy Clube, principal sodalício da cidade, àquela época.

            Tão logo a notícia da chegada de Jerry se confirmou, não pensei duas vezes, já que não iria à festa, por motivos plenamente justificáveis, obviamente. De imediato, tive a iniciativa de ir à residência de nosso amigo Milton Fernandes, onde Jerry se hospedaria, levando em companhia a esposa e dois dos meus três filhos: Dinamércia e Dinamérico Júnior, uma vez que Dinamárcia, a primogênita, encontrava-se em Currais Novos, morando e estudando no Colégio Objetivo, fazendo os anos iniciais naquele estabelecimento educacional, que era o coquetismo do momento na região.

            Por favor, permita-me uma pausa para uma breve reflexão. Interessante! Alô, Milton! Naquele tempo, que não era certamente o tempo que fala das condições meteorológicas, e, sim, da sucessão dos anos e dias, naturalmente, já se pressagiava à sua vitaliciedade à frente da Presidência do Trairy Clube, fato que, inexoravelmente, o tempo confirmou.

            Volto a falar de Jerry Adriani e daquela noite lendária do undécimo mês do ano de 1992, para imaginar o SHOW contagiante de J.A., com sua voz de tenor, na Festa do Reencontro, confundindo-se com a alegria esfuziante, prazenteira e espirituosa de Zé Pereira (Zezinho de Hozana), de Serafim Nunes e de Betinho (recentemente falecido), todos de saudosa memória. Além deles, outros com os quais, de vez em quando, nos reencontramos para falarmos daquela convivência de irmandade, até então, graças a Deus.
            Destaquem-se: Antônio Luiz de Zé Dobico, Bill Boy, Ubiratan e Hitinho de Seu Augusto, hoje de Régia, notoriamente.

            Na verdade, o que para mim é mesmo edificante é o fato de, quando em vez, nos encontrarmos, e eles se autoproclamarem “duros na queda” e reprisarem o sucesso musical, também dos anos 90, intitulado “Eu Sou o Bom” entre os Dez Mais, do Tremendão Erasmo, e que fez tanto sucesso na voz marcante de Eduardo Araújo, contemporâneo de Jerry Adriani, remanescente da Década de Ouro da Jovem Guarda Brasileira. Que bom!

            De qualquer forma, verdade ou não, o que me apraz e me honra, deveras, é privar da amizade de todos e compartilhar da alegria de termos rebuscado as páginas do livro de nossa história, para, num refrescar de memória, relembrar os agitos inesquecíveis daquele gostoso tal de Flashback! Ok, my friend!

            Retornando à casa de Milton, juntamente com a família, fomos carinhosamente recebidos por Jerry Adriani, encontro ansiosamente esperado.

            Receptividade marcada pela cordialidade costumeira do anfitrião, e por parte do visitante cantor. Uma aula exemplar de educação, de civilidade e simplicidade em altos níveis demonstrados. Tais requisitos, deveras, contribuíram, sobremaneira, para que nossa condição de admiradores ainda mais aumentasse pelos atributos indiscutíveis do ídolo e cantor Jerry Adriani, de gratas e saudosas recordações.

            No final, a pedido, fomos agraciados com 3 autógrafos do Príncipe da Jovem Guarda Brasileira, destinados a Dinamércia, a Dinamárcia, ausente da comitiva familiar, e a Júnior, que Jerry acolheu no colo. Em momento algum, ele demonstrou impaciência. Pelo contrário, parou o ensaio com seu guitarrista-mor, para nos cumprimentar e atender. Foi, de fato, um SHOW de alegria e solicitude.

            Quanto a seu falecimento, resta-nos dizer que ficou uma lacuna difícil de ser preenchida no cenário musical, artístico e cultural do Brasil e na memória de todos nós, admiradores, já que a música é, com efeito, de todas as artes, a que mais enobrece e aquela que melhor traduz os anseios de nossas almas.

            Afinal, conta-nos a Bíblia que o Rei Davi dançava em procissões religiosas à frente da Arca, desferindo as cordas da arpa. Entre os Gregos e os Romanos, ocupava um lugar preponderante na educação do povo.

Dinamérico Augusto de Medeiros


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